O artigo do Dr. Gaspar Vianna, publicado no Jornal do Brasil de 19 de janeiro último, merece uma cuidadosa reflexão crítica - tanto pela competência do autor como pela relevância do tema para os destinos nacionais: "As Telecomunicações na Constituinte".
Realmente: a terminologia das telecomunicações não está corretamente aplicada em nenhuma das vezes que aparece no texto da Sistematização. Inclusive quando trata dos "serviços de transmissão de informações" e da classificação dos "programas de telecomunicações".
No entanto, mesmo que todas as impropriedades fossem corrigidas, o texto continuaria "politicamente retrógrado".
O que mais me preocupa é a crença que propala: "Todas as impropriedades, todavia, tornam-se pequenas diante da barbaridade que se pretende fazer com as telecomunicações públicas do país".
Esta crença - que se espraia no setor - infunde um temor paralizante. Crença que, pelo ocultamento do sujeito da ação, está a acuar as lideranças de papel - que deveriam estar com os nobres constituintes na elaboração do texto constitucional.
Esta crença equivocada reforça o conto de que está em marcha um grande conluio contra os interesses nacionais:
- Que poderosos grupos de interesse, bem articulados com os constituintes, estão a dilapidar todas as conquistas de nossos antepassados.
- Que agentes apátridas estão a corromper os constituintes para que tramem, na calada da noite, nos porões da Asssembléia Constituinte, contra o interesse público.
- Que estão a minar os pilares da construção da nacionalidade.
- Que estão a salapar as bases do projeto nacional.
Não existe esta grande conspiração do "Império do Mal".
O poder, a competência e a capacidade de agir do dito império é tão somente fruto da desunião das vontades mal formadas. Muito pouco desta crença está acontecendo na realidade. No entanto, temos que conjurar o demônio conspiratório de nossas mentes, urgentemente.
Demônio incoscientemente utilizado para justificar omissões, incompetências e má-fé. Para explicar a incapacidade de construir um projeto coletivo em prol do bem comum. A fraqueza em assumir o legado dos antepassados. A fragilidade diante da tarefa de construir um futuro melhor para os filhos. A nossa finitude frente os sonhos imemoriais de liberdade.
Felizmente não é este o caso dos que lutam pela telemática nacional.
Os brasileiros dos setores das telecomunicações e da informática não se submetem ao mal espalhado pelos agentes do falso Império. Ainda que desunidos somos mais poderosos.
Como explicar então o ocorrido?
Muito fácil!
A confusão toda foi armada por uma singular "linha cruzada":
Os novos constituintes fizeram uma "ligação inter-temporal" para os seus pares do Século XXI.
E, por uma dessas peças que o destino nos prega, a ligação para o futuro "cruzou" com uma ligação feita pelos constituintes de 1891 para os seus pares de 1934.
Os de 1891 também tinham ligado para o futuro.
Sem que os interlocutores se dessem conta da peça pregada pelo destino, formou-se uma grande rodada do "Disque Amizade". Do presente com o passado no lugar do futuro.
E, com grande espírito cívico, foram surgindo as proposições do texto da sistematização. Com as mais vivas esperanças dos constituintes de hoje - enganados! - desenhando as fundações do Brasil do Século XXI."
Esta foi a gênese do texto da sistematização.
A falta de uma boa manutenção das linhas inter-temporais - de conluio com a fatalidade - explica, justifica e inocenta os nossos nobres constituintes.
Todos, de boa fé, pensaram e agiram ligados com o futuro ausente substituído pelo passado presente.
Felizmente, no correr do "Disque Amizade" fatídico, a "Força do Bem" também se fez presente. Mobilizou alguns poucos cabistas para uma ação de guerrilha sem comando. Orientados pelos apelos desesperados dos constituintes do futuro, lançaram-se em campo a partir das catacumbas.
Brava e isoladamente, passaram a lutar para o aperfeiçoamento das emendas mais relevantes: das do Campos às da Cristina, das do Ulisses às do Delfim, das do Arolde às do Caó.
Alguns dos constituintes, mais atentos e operosos, já se deram conta da grande confusão que foi armada pelo destino.
Graças às primeiras emendas, já conseguiram captar segmentos de mensagens, ainda que truncadas, dos seus pares do futuro:
"União política dos setores das telecomunicações e da informática no Ministério da Telemática"...
"Um só Conselho Nacional de Telemática"...
"Ação protelatória e diversionista para retardar o desenvolvimento nacional auto-sustentado"...
"Integração dos mercados internos das telecomunicações e da informática"...
"Imposto Único de Serviços Telemáticos - de telecomunicações e de informática"...
"Aplicação total do imposto em programas de (tele)informatização da ação governamental: da União aos Municípios"...
"Aceleração da formação de recursos humanos em telemática"...
"Capacitação Tecnológica a partir de programas de compras dos Governos"...
"Fortalecimento da empresa privada genuinamente brasileira"...
"Bases de Conhecimentos e de Dados em solo pátrio"...
"Instrumento integrado para aceleração do aumento da produtividade e da renda nacional"...
"Competência exclusiva da União"...
"Consolidação da Unidade Nacional: política, econômica e cultural"...
Não há mais tempo para a desesperança. Só para a ação consciente junto aos nobres constituintes. O tempo urge. O estrago é grande. O conserto é difícil e penoso. Exige ação imediata, constante, decidida e solidária dos companheiros da telemática brasileira.
É necessário que todos os canais disponíveis sejam intensamente utilizados. É preciso processar e transmitir o máximo de informação para se reduzir a entropia crescente. Sem congestionamentos e sem ruído nas linhas.
É imperativo que as emendas sejam aprimoradas com o assessoramento dos profissionais do setor. Emendas que serão, então, apoiadas com decisão, destemor e o mais vivo entusiasmo.
É imprescindível que a (tele)ligação com o futuro seja plenamente reestabelecida.
Nossos constituintes, que se dizem ávidos para fundar as bases de um novo projeto nacional, não podem desconsiderar o advento da (tele)informatização da sociedade brasileira. Já da nossa sociedade. Da sociedade de nossos filhos. Dos filhos de nossos filhos. Inclusive para que possamos resgatar, efetivamente, a imensa dívida social.
Esta ligação só depende de nós, homens da telemática. Telecomunicações e informática unidas em torno de um mesmo ideal. Dispostos a reeditar uma história de lutas e vitórias em prol da libertação da nação brasileira: política, econômica e cultural.
Homens que estão dispostos a dar
a esta nova luta um sentido de oração.Uma oração em homenagem à filha de Jesus,
que padece - isolada do mundo -
das pressões das vivas contradições.Para a filha de Jesus:
Um dos que lutou por nós,
Pela causa nacional.
E que morreu anônimo.
Silenciado e esquecido.
Atropelado!O Jesus que tinha:
Trilhos nos dentes;
Petróleo nas veias;
Punhos de aço;
Eletricidade nos nervos;
Luzes no cérebro,
E o Brasil no coração.O Soares Pereira.
Uma nova luta com sentido de oração.
Com Rondon e Guaranys,
Pela filha de Jesus.Todos, com o Brasil no coração.
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